(STAR
TREK)2 E O FIM DO FUTURO
Em Filosofia da Nova Música — obra que discute os caminhos da
música europeia em sua inflexão do séc. XIX ao XX — Theodor Adorno utiliza, a
propósito da obra de Stravinsky, a expressão “música ao quadrado”. Trata-se da música
que prefere manipular formas já historicamente constituídas através de procedimentos
como a citação, a paródia e o pastiche.
Algo similar vem ocorrendo em Star Trek em sua inflexão do séc. XX para o XXI. Uma parte crescente de Star Trek contemporâneo já é apenas não apenas uma ficção que projeta o futuro, mas uma ficção que recombina as próprias formas históricas de Star Trek. O musical, o noir em preto e branco, a animação, os fantoches, a reconstituição deliberada da televisão dos anos 60: tudo isso sugere uma franquia cada vez mais consciente de si própria como repertório estético.