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Mostrando postagens de fevereiro, 2018

A HISTÓRIA É OUTRA - FRITZ LEIBER

Alvíssaras! Um novo volume para a coleção: A História é Outra , de Fritz Leiber (Ed. Expressão e Cultura, 1973). Uma leitura desafiadora. Em um primeiro momento, parece tratar-se de um enredo semelhante ao da “guerra fria temporal” do seriado Star Trek: Enterprise , em que facções de um futuro distante tentam influenciar, em seu benefício, a história presente. Mas a guerra entre Serpentes e Aranhas, as facções descritas por Leiber, não é nada fria. O conceito de “integridade da linha temporal” não faz sentido em A História é Outra : se Roma precisa ser defendida dos bárbaros, por que não usar alguns dispositivos nucleares?

AS CANÇÕES DA TERRA DISTANTE - Arthur C. Clarke

A maravilha, o assombro e o espanto estão no cerne do empreendimento literário. Arthur C. Clarke é um autor que nunca nos deixa esquecer disso: uma de suas especialidades é deslumbrar o leitor com máquinas e construções colossais. Ocupou-se do malfadado Titanic em O Fantasma das Grandes Banquisas ; idealizou naves espaciais gigantescas, como a alienígena Rama; concebeu uma cidade inteira autossuficiente e mecanizada, Diaspar, em A Cidade e as Estrelas . O monolito negro de 2001: Uma Odisseia no Espaço e suas sequências talvez seja a criação suprema de Clarke nesse sentido. Se o monolito não é colossal em suas dimensões, certamente o é em suas implicações. Muitas vezes, as próprias tramas são construídas ao redor desses aparatos e daquilo que pode dar errado com eles, como em As Fontes do Paraíso , obra que poderia ser resumida assim: “elevador espacial custa a vida de seu criador”.

A PROPÓSITO DE HEINLEIN E DA FC

Tenho empregado repetidamente argumentos do tipo: determinada obra difere das visões mais comuns da FC desta ou daquela maneira, e assim por diante. Acabo de ler, pela primeira vez, Estrela Oculta , de Robert A. Heinlein (Ed. Francisco Alves, 1981; a obra original é dos anos 1950). Eis um livro que reflete muitos desses padrões “comuns”, escrito por um dos “grandes” da FC. É, portanto, uma boa oportunidade para explorar algumas convenções, temas e características que venho considerando centrais a boa parte da FC, especialmente à chamada Era de Ouro.

FLUAM, MINHAS LÁGRIMAS, DISSE O POLICIAL

Ah, entranhas minhas, entranhas minhas! Estou com dores no meu coração! O meu coração se agita em mim. Não posso me calar; porque tu, ó minha alma, ouviste o som da trombeta e o alarido da guerra. Jeremias 4:19 Toda vez que vejo o nome Philip K. Dick em alguma enumeração dos grandes da FC, lado a lado com Isaac Asimov e Arthur C. Clarke, não consigo evitar um momento de estranheza. Claro está que PKD é um dos grandes, mas seus livros parecem pertencer a uma categoria distinta. Para começar, comparemos o sentimento evocado pela própria experiência da leitura. Asimov, Clarke e afins: edificante entretenimento. PKD: algo como um chute no estômago.