A Segunda Trilogia da Fundação é um conjunto de romances de FC ambientados no universo ficcional criado por Isaac Asimov. Acabei de reler o primeiro destes volumes, Fundação: o Medo, de Gregory Benford. Os demais são, respectivamente, de Greg Bear e David Brin.
A história futura concebida por Asimov é — pelo menos inicialmente — uma projeção da compreensão iluminista da história do Ocidente. Parte-se de um império entendido como fiador da civilização e do progresso no sentido mais amplo: social, científico e econômico. Este império declina e dá lugar a um período médio, intermediário, de estagnação ou mesmo regresso, um período descrito como de “trevas” em diversos sentidos. Por fim, há um renascimento dos ideais progressistas e das condições para o desenvolvimento da espécie humana. Hari Seldon formula sua psico-história para reduzir o período intermediário e acelerar o renascimento da civilização sobre bases ainda mais firmes. Os leitores de Asimov sabem que ele eventualmente problematiza este esquema incluindo, por exemplo, questões ambientais e uma crítica do imperialismo em si mesmo. Mas, em todos estes cenários, a seta da história nos futuros criados por Asimov aponta para o fim da miséria humana. A meta que transparece é sempre o esclarecimento, o progresso, a felicidade.
Já o Império Galáctico de Benford é descrito em outros termos. É um império deliberadamente feudal, com classes sociais rígidas e que tem como valor básico a manutenção de uma ordem social. A versão de Benford do Império não tem como meta o progresso, mas a estabilidade em si mesma. O caos é o inimigo a ser combatido. Um cenário que quase parece saído das páginas de Duna!

