segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

E QUANTO AOS DEUSES? – PARTE 3

 

Continuamos com Star Trek. A Nova Geração (1987-1994) também tem sua cota de episódios de deuses-astronautas, inclusive um em que os humanos acabam como sendo considerados deuses. De um ponto de vista rigoroso, episódios como esse não deveriam existir. A Federação Unida de Planetas, em sua Primeira Diretriz, proíbe a interferência em planetas com culturas consideradas “primitivas” (Kirk, na Série Clássica, desobedecia a essa regra com regularidade). Aos cientistas federados permitia-se estudar planetas menos avançados se fossem usadas táticas para manter sua presença oculta. Mas bastou um acidente revelar a presença dos cientistas – e a Enterprise-D ser chamada para prestar socorro – para termos o capitão Picard adorado com um deus no episódio Who Watches the Watchers (1989). Como bom cidadão federado, ele recusa essa adoração. O resultado é um episódio que, mesmo sendo tributário de Däniken, ao menos problematiza o tema.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

E QUANTO AOS DEUSES? – PARTE 2

          Como fã de Star Trek, não posso deixar de comentar que a franquia abordou os deuses-astronautas, ao seu modo, antes de Däniken. Em um episódio de 1967 da Série Clássica Who Mourns for Adonais? a tripulação da Enterprise encontra entre as estrelas Apolo, o musageta, deus grego da luz, da profecia e da música. Mas tudo não passa de um pretexto: o tema do episódio é a luta humana por autodeterminação, e não a hipótese dos astronautas antigos.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

E QUANTO AOS DEUSES? – PARTE 1

 

            Muita FC foi escrita postulando a interferência de extraterrestres no planeta Terra.  Stanislaw Lem, em A Voz do Mestre (1968), trata de uma transmissão de neutrinos – possivelmente originada por outra civilização – que teria permitido o próprio fenômeno da vida, ao aumentar as probabilidades da biogênese. Em 2001: Uma Odisseia no Espaço (também de 1968), Arthur C. Clarke descreve como um artefato de origem extraterrestre – o famoso monolito negro – teria atuado para incrementar a capacidade cognitiva de pré-humanos.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

A VOZ DO MESTRE – STANISLAW LEM


Acabo de reler A Voz do Mestre, de Stanislaw Lem (Ed. Francisco Alves, 1991). O texto de Lem é denso e filosófico. Problemas de tradução contribuem para tornar o livro quase impenetrável em certas passagens. Não obstante, é uma leitura fantástica: as explanações a respeito da aleatoriedade, por exemplo, são perfeitamente acuradas e essenciais para a compreensão da trama. E se fosse percebido um padrão nos bilhões de neutrinos cósmicos que atravessam a Terra a cada instante? Tratar-se-ia de uma mensagem? Eis a trama de A Voz do Mestre, que nos apresenta os bastidores de um projeto secreto do governo dos EUA destinado a “decifrar” uma “mensagem” recebida das estrelas. Uma legião de cientistas de diferentes áreas é recrutada e instalada em uma região desértica do EUA. Não é por acaso que Lem (que era polonês) situa a narrativa na América: existe a intenção mais ou menos expressa de estabelecer uma comparação com o Projeto Manhattan. 

A Voz do Mestre - Ed. Francisco Alves


segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

E QUANTO AO PARAÍSO?

        Descrevo a seguir cinco visões genéricas a respeito do sentido da história, tal podem ser encontradas em obras de ficção especulativa (categoria que abrange também a FC). Uso a expressão paraíso em um sentido não religioso, como significando um estado geral de coisas absolutamente desejável, uma sociedade ideal. Mas não a uso por acidente, na medida em que constato as relações entre a ficção especulativa e o pensamento religioso.

 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

OBRAS DE JACK VANCE EM PORTUGUÊS

 

Apenas uma pequena fração da obra de Jack Vance está disponível em português:

CONTOS INTERLIGADOS

A Agonia da Terra – Coleção Urânia da Ed. Bruguera – 1973 Obs.: Tradução do influente The Dying Earth .

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

A PROPÓSITO DE MARUNE: ALASTOR 933, DE JACK VANCE

 

            Finalmente, algumas linhas sobre Jack Vance (1916 – 2013), de cuja obra Star King o título do blog, “Taverna de Smade”, foi extraído. E como é estranho aportar na obra de Jack Vance após um mergulho pelo universo de Jornada de Estrelas! Pois este último trata de um projeto utópico de formação de uma grande comunidade regida por princípios comuns, enquanto o primeiro rejeita a possibilidade de tais princípios, deleitando-se em explorar cenários em que prevalecem tensões entre comunidades (ou indivíduos) de concepções epistemológicas incompatíveis.

            A apreciação convencional de Jack Vance passa necessariamente por sua linguagem apurada e singular, carregada de “vancismos”. Naturalmente, os que leem Vance em português, como eu mesmo, não estão em condições de apreciar completamente este ponto. Outra maneira de caracterizar o autor tem sido a partir do sabor antropológico de seus escritos, no que por vezes vem sendo comparado a Ursula Le Guin.




segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

COLEÇÃO JORNADA NAS ESTRELAS DA ALEPH - Parte 4

 

            Ali por 2005, em um fórum de discussão do Orkut, alguém levantou a questão dos volumes finais da coleção Jornadas das Estrelas da Aleph. Fui taxativo: os volumes 21 a 25 não existem! Alguém respondeu que eu estava errado: existiam sim. Foi então que comecei a buscar estes livros pela internet, tendo localizado e adquirido Mundo de Spock (vol. 24) naquela ocasião.

            O caso é que cada volume da coleção contém, em suas páginas iniciais, uma lista das obras lançadas até então. A versão mais completa dessa lista é a que consta nas páginas iniciais do vols. 24 e 26 (o último). A mesmíssima lista consta em ambos os volumes: dá a impressão de que os editores esqueceram de atualizar a lista que consta no vol. 26, simplesmente usando novamente a lista empregada no volume 24. Até hoje jamais encontrei os volumes 21 e 23 dessa lista (e continuo achando que não existem!). Seriam:

21. Heróis Derrotados - Dafydd abb Hugh (DS9)

23. Os Anos Perdidos – J. M. Dillard (TOS)