A Segunda Trilogia da Fundação é um conjunto de romances de FC ambientados no universo ficcional criado por Isaac Asimov. Acabei de reler o primeiro destes volumes, Fundação: o Medo, de Gregory Benford. Os demais são, respectivamente, de Greg Bear e David Brin.
A história futura concebida por Asimov é — pelo menos inicialmente — uma projeção da compreensão iluminista da história do Ocidente. Um esquema teleológico em três etapas: império/progresso, fragmentação/trevas e renascimento/novas luzes. Hari Seldon formula seu plano, através da psico-história, para reduzir o período de fragmentação, a idade média galáctica, e acelerar o renascimento da civilização sobre bases ainda mais firmes. Os leitores de Asimov sabem que ele eventualmente problematiza este esquema incluindo, por exemplo, questões ambientais e uma crítica do imperialismo em si mesmo. Mas, em todos estes cenários, a seta da história nos futuros criados por Asimov aponta para o fim da miséria humana. A meta que transparece é sempre o esclarecimento, o progresso, a felicidade.
Já Benford, em seu Fundação: o Medo, bagunça este esquema. O renascimento não é mais a meta, mas sim um destino a ser evitado. Temos um império deliberadamente feudal, medieval, com classes sociais rígidas e que tem como valor básico a manutenção de uma ordem social. A versão de Benford do Império não tem como meta o progresso, mas a estabilidade em si mesma. Um cenário que quase parece saído das páginas de Duna!

