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Mostrando postagens de 2021

E VI SURGIR DO MAR UMA BESTA - Fui publicado na Somnium 116!

Alvíssaras!  Meu conto "E vi surgir do mar uma besta" foi publicado no número 116 da Somnium, que é a publicação oficial do Clube de Leitores de Ficção Científica (do qual sou membro). A revista pode ser encontrada aqui: https://somnium.clfc.com.br/wp-content/uploads/edicoes/Somnium116.pdf Agradeço à equipe do CLFC e ao editor responsável pela oportunidade. Tem a ver:    Este blog, o que é? A Caçada    

A LONGA SOMBRA DOS DEUSES ASTRONAUTAS – Parte 3

Continuamos com Star Trek . A Nova Geração (1987–1994) também tem sua cota de episódios sobre deuses-astronautas, inclusive um em que os próprios humanos acabam tomados por deuses. Em princípio, um episódio assim nem deveria existir. A Primeira Diretriz da Federação Unida de Planetas proíbe a interferência em culturas consideradas “primitivas” — embora Kirk, na Série Clássica, desobedecesse à regra com notável regularidade. Aos cientistas federados permite-se estudar planetas menos “avançados” desde que adotem procedimentos capazes de manter sua presença oculta. Mas basta um acidente revelar uma dessas equipes de pesquisa — e a Enterprise -D ser chamada para prestar socorro — para que o capitão Picard acabe adorado como um deus em Who Watches the Watchers (1989). Como bom cidadão federado, ele recusa a adoração. O resultado é um episódio que, embora tributário de Däniken, ao menos problematiza o tema.

A LONGA SOMBRA DOS DEUSES ASTRONAUTAS – Parte 2

Como fã de Star Trek , não posso deixar de observar que a franquia já havia abordado, a seu modo, o tema dos deuses-astronautas antes de Däniken. Em um episódio de 1967 da Série Clássica — Who Mourns for Adonais? —, a tripulação da Enterprise encontra entre as estrelas Apolo, o musageta, deus grego da música, da profecia e da luz. Mas a hipótese dos deuses-astronautas funciona sobretudo como pretexto: o tema central do episódio é a luta humana por autodeterminação.

A LONGA SOMBRA DOS DEUSES ASTRONAUTAS – Parte 1

Muita ficção científica foi escrita imaginando a interferência, em nosso planeta, de extraterrestres tomados por deuses. A Voz do Mestre (1968), de Stanislaw Lem, trata de uma transmissão de neutrinos — gerada intencionalmente por outra civilização? — que teria permitido o próprio fenômeno da vida na Terra, e talvez em uma vasta região da galáxia, ao aumentar as probabilidades da biogênese. Em 2001: Uma Odisseia no Espaço (também de 1968), Arthur C. Clarke descreve como um artefato de origem extraterrestre — o famoso monolito negro — teria atuado para incrementar a capacidade cognitiva dos pré-humanos.

A VOZ DO MESTRE – STANISLAW LEM

Acabo de reler A Voz do Mestre , de Stanisław Lem (Ed. Francisco Alves, 1991). O texto de Lem é denso e filosófico. Problemas de tradução contribuem para tornar o livro quase impenetrável em certas passagens. Não obstante, é uma leitura fantástica: as explanações a respeito da aleatoriedade, por exemplo, são rigorosas e essenciais para a compreensão da trama. E se fosse percebido um padrão nos bilhões de neutrinos cósmicos que atravessam a Terra a cada instante? Tratar-se-ia de uma mensagem? Eis a premissa de A Voz do Mestre , que nos apresenta os bastidores de um projeto secreto do governo dos EUA destinado a “decifrar” uma “mensagem” recebida das estrelas. Uma legião de cientistas de diferentes áreas é recrutada e instalada numa região desértica dos Estados Unidos. Não é por acaso que Lem, polonês, situa a narrativa na América: há uma intenção mais ou menos explícita de estabelecer um paralelo com o Projeto Manhattan.

E QUANTO AO PARAÍSO?

Descrevo a seguir cinco visões genéricas a respeito do sentido da história, tais como podem ser encontradas em obras de ficção especulativa — categoria que abrange também a FC. Uso a expressão “paraíso” em sentido não religioso: um estado geral de coisas absolutamente desejável, uma sociedade ideal. Mas a escolha da palavra não é acidental, pois há relações profundas entre a ficção especulativa e o pensamento religioso.