segunda-feira, 30 de novembro de 2020

COLEÇÃO JORNADA NAS ESTRELAS DA ALEPH - Parte 2

 

Ofereço a seguir minha apreciação pessoal dos volumes 1 a 12.  As datas indicadas correspondem ao lançamento no Brasil, tal como indicado na ficha catalográfica de cada um dos volumes.

 

1. Portal do Tempo - A. C. Crispin (1991) - Série Clássica

É uma sequência literária do episódio televisivo All Our Yesterdays (1969), que é o penúltimo da Série Clássica (TOS - ao fim da terceira e última temporada). O episódio mostra Spock envolvendo-se com Zarabeth, no passado glacial do Planeta Sarpeidon. Em Portal do Tempo, Spock percebe, através de registros arqueológicos de Sarpeidon, que talvez tenha tido um filho com Zarabeth. Decide-se então a resgatá-lo usando o Guardião da Eternidade, o portal do tempo apresentado no excelente episódio televisivo de TOS, The City on the Edge of Forever (1967).

A obra funciona muito bem em seus próprios termos: de fato, eu a li (e gostei muito dela) antes mesmo de ter a oportunidade de assistir All Our Yesterdays. É uma grande aventura espacial, despretensiosa, focada no grande trio Kirk, Spock e McCoy. Apresenta Zar, o filho de Spock, de forma sensível.

Foi relançado recentemente pela Aleph, no que pareceu o início de um projeto de uma nova coleção literária ambientada no universo Star Trek.

 

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

COLEÇÃO JORNADA NAS ESTRELAS DA ALEPH - Parte 1

 

A coleção Jornada nas Estrelas consiste em 23 volumes lançados pela Editora Aleph. Apresentou ao público brasileiro edições esmeradas de novelas estadunidenses ambientadas no universo Star Trek. Os livros foram lançados entre entre 1991 (aniversário de 25 anos da franquia) e 1997 (40 anos do Sputnik I). Cada livro é dotado de notas explanatórias e glossários, buscando ambientar o leitor. Claramente, um trabalho de fãs dedicados.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A HISTÓRIA É OUTRA - FRITZ LEIBER

Alvíssaras! Um novo volume para a coleção: A História é Outra, de Fritz Leiber (Ed. Expressão e Cultura, 1973). Uma leitura desafiadora. Em um primeiro momento, parece tratar-se de um enredo semelhante ao da “guerra fria temporal” do seriado Star Trek: Enterprise, em que facções de um futuro distante tentam influenciar, em seu benefício, a história presente. Mas a guerra entre Serpentes e Aranhas, as facções descritas por Leiber, não é nada fria. O conceito de “integridade da linha temporal” não faz sentido em A História é Outra: se Roma precisa ser defendida dos bárbaros, porque não usar alguns dispositivos nucleares?

sábado, 24 de fevereiro de 2018

AS CANÇÕES DA TERRA DISTANTE


A maravilha, o assombro e o espanto estão no cerne do empreendimento literário. Arthur C. Clarke é um autor que não deixa esquecer disso: uma de suas especialidades é nos deslumbrar com máquinas colossais. Ocupou-se do malfadado Titanic, assunto de O Fantasma das Grandes Banquisas; idealizou naves espaciais gigantescas, como a alienígena Rama; concebeu uma cidade inteira autossuficiente e mecanizada, Diaspar, em A Cidade e as Estrelas. O monolito negro de 2001: Uma Odisseia no Espaço e sequencias talvez seja a criação suprema do autor nesse sentido (se o monolito não é colossal em suas dimensões, o é em suas implicações). As tramas muitas vezes são construídas a partir destes aparatos e do que pode dar errado com eles, como é o caso em As Fontes do Paraíso, obra que poderia ser resumida assim: “elevador espacial custa a vida de seu criador”.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A PROPÓSITO DE HEINLEIN E DA FC

Tenho repetidamente empregado argumentos do tipo: tal obra difere das visões mais comuns da FC dessa ou daquela forma, e assim por diante. Acabo de ler, pela primeira vez, Estrela Oculta, de Robert A. Heinlein (Ed. Francisco Alves, 1981 - mas a obra é dos anos 50). Eis uma obra que reflete esses padrões “comuns”, escrita por um dos “grandes” da FC.  Uma boa oportunidade de explorar certas convenções, temas e características que venho considerando "centrais" à FC, em especial da chamada "Era Dourada" :

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

FLUAM, MINHAS LÁGRIMAS, DISSE O POLICIAL

Ah, entranhas minhas, entranhas minhas! Estou com dores no meu coração! O meu coração se agita em mim. Não posso me calar; porque tu, ó minha alma, ouviste o som da trombeta e o alarido da guerra.  
                                                                                    Jeremias 4:19

Toda a vez que vejo o nome Philip K. Dick em alguma enumeração dos grandes da FC, lado a lado com Isaac Asimov e Arthur C. Clarke, não consigo evitar um momento de estranheza. Claro está que PKD é um dos grandes, mas os seus livros parecem estar em uma categoria distinta. Para começar, comparemos o sentimento evocado pela experiência da leitura em si. Asimov, Clarke e afins: edificante entretenimento. PKD: algo como um chute no estômago.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

NOTAS DE UM MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS

Do “Aprendiz de Avatar”, no Pergaminho da Nona Dimensão: Inteligência?, perguntou Marmaduke num dos intervalos permitidos, quando acompanhava a EMINÊNCIA no parapeito. O que é inteligência? Ora, respondeu a EMINÊNCIA, não é mais do que uma ocupação humana, uma atividade a que os homens aplicam seus cérebros, como uma rã agita as pernas para nadar: é um padrão que os homens em seu egoísmo usam para medir outras e talvez mais nobres raças, que ficam assim confundidas.

Jack Vance, Star King

              
Minha primeira tentativa de aproximação do Guia do Mochileiro das Galáxias não me trouxe diversão alguma. Como o livro vinha sendo saudado como irreverente e engraçadíssimo, senti-me um tanto decepcionado. Pelo menos com “irreverente” eu concordava, em certo sentido: a obra não mostrava qualquer reverência para com as minhas crenças sobre FC. Eventualmente, superei o fundamentalismo nerd e consegui aproveitar minha excursão pelo universo caótico de Douglas Adams. Cheguei mesmo a rir um pouco no processo. Mas era um riso contido, temperado pela ironia. O Guia não é livro para gargalhadas.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

TROMBETAS DA REVOLUÇÃO

Estou relendo “Trombetas da Revolução”, de Lloyd Biggle Jr., número 174 da Colecção Argonauta. Lembro-me da minha reação ao encontrar este volume pela primeira vez (em um sebo, obviamente, já que é uma publicação dos anos 70): “Este título é demasiado grandiloquente!”, pensei. O título original é de fato mais contido: “The still small voice of trumpets” (além de referenciar a versão King James de 1 Reis 19:12). Mas, ao fim da leitura, percebe-se que o título em português é bem escolhido, afinal.... Gostei muito da obra, na ocasião de minha primeira leitura em meados do início deste século.