Grande notícia!
Meu conto "Metaparafísica" foi publicado no número 126 da Somnium, que é a publicação oficial do Clube de Leitores de Ficção Científica (o CLFC, do qual sou membro).
Grande notícia!
Meu conto "Metaparafísica" foi publicado no número 126 da Somnium, que é a publicação oficial do Clube de Leitores de Ficção Científica (o CLFC, do qual sou membro).
Recentemente, revisitei Orion Renascerá, do norte-americano Poul Anderson (1926–2001). A obra chegou ao Brasil pela Francisco Alves em 1992, quase uma década após o original Orion Shall Rise (1983). Trata-se do meu livro favorito do autor e, confessadamente, o único que ainda me sinto impelido a revisitar. Ao pesquisar a recepção crítica atual, deparei-me com uma resenha da Kirkus Reviews que o classifica como "demasiadamente derivativo" de trabalhos anteriores do autor. Sob a ótica da literatura como forma de arte pura, o argumento faz sentido; contudo, ele falha em capturar o que considero os verdadeiros méritos da obra.
Para quem ainda não assistiu, segue minha versão caseira do tema musical de Star Trek: First Contact (Jerry Goldsmith):
Em Os Dramaturgos de Yan — publicado em 1974 na portuguesa Argonauta (n. 205) — encontramos uma discussão sobre as possibilidades e limitações do conceito de obra de arte total. Para entendermos esta ideia, precisamos recuar no tempo e lançar um olhar sobre uma polêmica que sacudiu o mundo cultural na Alemanha do séc. XIX.
O termo "fim da história" era tradicionalmente associado à Hegel — um filósofo alemão que viveu entre 1770 e 1831 — até que Fukuyama o reviveu em 1989 para falar da “vitória” estadunidense da Guerra Fria. O fim da história seria o momento em que a humanidade finalmente atingiria uma sociedade estável, equilibrada, perfeita. Como muitos já observaram — inclusive eu mesmo, aqui —, a confluência deste ideal com as aspirações religiosas milenaristas estadunidenses é uma poderosa matriz da FC.
Mas há aqueles que denunciam o conceito de fim de história justamente por ser utópico. Para estes, esta ideia não passa de uma cristalização materialista do conceito cristão da segunda vinda — e por isso mesmo falaciosa. Certamente podemos incluir Piratas do Espaço, de Murray Leinster, no cânone desses descrentes da utopia. Trata-se do volume 152 da Colecção Argonauta, lançado em Portugal em 1970.
Poucas obras de FC escritas em anos recentes me trouxeram tantas alegrias quanto A Terra Longa (tradução de The Long Earth, de Terry Pratchett e Stephen Baxter), lançada em 2018 pela Bertrand Brasil. A descobri em uma livraria, na estante das novidades. Folheei o volume ao acaso, e quando meus olhos bateram em uma descrição do canto coral do homo habilis, soube que iria levar aquele livro verde comigo.
Grande notícia!
Meu conto "A Ideia Fatal" foi publicado no número 123 da Somnium, que é a publicação oficial do Clube de Leitores de Ficção Científica (o CLFC, do qual sou membro).
O ARTISTA DE GÊNERO
The Genre Artist - Carlo Rotella
(2009)
Original:
https://www.nytimes.com/2009/07/19/magazine/19Vance-t.html
Traduzido por Marcelo Rabello dos
Santos (out. 2022)
Jack Vance, descrito por
seus pares como autor genial e o maior escritor vivo de ficção científica e fantasia,
está escondido à plena vista enquanto publica – seis décadas e contando (Nota do tradutor: Jack Vance faleceu em
2013). Sim, ele foi premiado com o Hugo,
o Nebula e o World Fantasy, foi nomeado Grão-Mestre pela Science Fiction and Fantasy Writers of America e recebeu um Edgar da Mystery Writers of America, mas tais honrarias somente contribuem
para camuflá-lo, como se Vance fosse apenas mais um bem-sucedido autor de nicho. Também contribuem para esta ocultação as capas de seus
livros, recheadas de clichês – espaçonaves, monstros e eufônicas designações de
localidades: Lyonesse, Alastor, Durdane. Se você nunca leu Vance e está vasculhando
a prateleira de uma livraria, pode não ter nenhum motivo específico para
escolher um de seus livros ao invés daqueles de A. E. van Vogt ou John Varley.
E se você escolhesse alguma dessas outras obras, seguiria por tranquilamente
pelos caminhos habituais da FC sem ter a menor ideia de que acabou de perder um
encontro com uma das vozes mais distintas e desvalorizadas da literatura estadunidense.