quarta-feira, 9 de setembro de 2026

AS TRAIÇÕES DE GREGORY BENFORD — FUNDAÇÃO: O MEDO (1997)

A Segunda Trilogia da Fundação é um conjunto de romances de FC ambientados no universo ficcional criado por Isaac Asimov. Acabei de reler o primeiro desses volumes, Fundação: o Medo, de Gregory Benford. Os demais são, respectivamente, de Greg Bear e David Brin.

STAR TREK AND THE END OF THE FUTURE

 (STAR TREK)² AND THE END OF THE FUTURE

Original in portuguese here

            In Philosophy of New Music—a work that discusses the paths taken by European music at the turn from the nineteenth to the twentieth century—Theodor Adorno, in reference to Stravinsky’s compositions, uses the expression “music squared.” He means music that prefers to manipulate historically established forms through procedures such as quotation, parody, and pastiche.

        Something similar has been happening to Star Trek in its transition from the twentieth to the twenty-first century. A growing part of contemporary Star Trek is no longer simply fiction projecting a future, but fiction recombining the historical forms of Star Trek itself. The musical, black-and-white noir, animation, puppets, the deliberate recreation of 1960s television: all of this suggests a franchise increasingly conscious of itself as an aesthetic repertoire.

        The problem—at least as many fans of the series perceive it—is that all these self-references are somehow merely concealing the show’s declining relevance. Studios, producers, writers, and actors are blamed. But here I would like to explore a different hypothesis: that the crisis of Star Trek is not necessarily artistic or creative, but the result of the disappearance of the historical conditions that once made its utopia believable.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Star Trek e o fim do futuro

 

(STAR TREK)2 E O FIM DO FUTURO

English version here

Em Filosofia da Nova Música — obra que discute os caminhos da música europeia em sua inflexão do séc. XIX ao XX — Theodor Adorno utiliza, a propósito das composições de Stravinsky, a expressão “música ao quadrado”. Trata-se da música que prefere manipular formas já historicamente constituídas através de procedimentos como a citação, a paródia e o pastiche.

Algo similar vem ocorrendo em Star Trek em sua inflexão do séc. XX para o XXI. Uma parte crescente de Star Trek contemporâneo já é apenas não apenas uma ficção que projeta o futuro, mas uma ficção que recombina as próprias formas históricas de Star Trek. O musical, o noir em preto e branco, a animação, os fantoches, a reconstituição deliberada da televisão dos anos 60: tudo isso sugere uma franquia cada vez mais consciente de si própria como repertório estético.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

METAPARAFÍSICA - Fui publicado na Somnium 126!

 Grande notícia!

Meu conto "Metaparafísica" foi publicado no número 126 da Somnium, que é a publicação oficial do Clube de Leitores de Ficção Científica (o CLFC, do qual sou membro).


A revista pode ser encontrada aqui:


Agradeço à equipe do CLFC pelo incentivo e oportunidade.
 






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A Caçada


segunda-feira, 17 de novembro de 2025

ORION RENASCERÁ – Poul Anderson

 

Recentemente, revisitei Orion Renascerá, do norte-americano Poul Anderson (1926–2001). A obra chegou ao Brasil pela Francisco Alves em 1992, quase uma década após o original Orion Shall Rise (1983). Trata-se do meu livro favorito do autor e, confessadamente, o único que ainda me sinto impelido a revisitar. Ao pesquisar a recepção crítica atual, deparei-me com uma resenha da Kirkus Reviews que o classifica como "demasiadamente derivativo" de trabalhos anteriores do autor. Sob a ótica da literatura como forma de arte pura, o argumento faz sentido; contudo, ele falha em capturar o que considero os verdadeiros méritos da obra.

segunda-feira, 24 de junho de 2024

terça-feira, 28 de maio de 2024

NOTA SOBRE OS DRAMATURGOS DE YAN — John Brunner

              

Em Os Dramaturgos de Yan — publicado em 1974 na portuguesa Argonauta (n. 205) — encontramos uma discussão sobre as possibilidades e limitações do conceito de obra de arte total. Para entendermos esta ideia, precisamos recuar no tempo e lançar um olhar sobre uma polêmica que sacudiu o mundo cultural na Alemanha do séc. XIX. 


 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

PIRATAS DO ESPAÇO - Murray Leinster

O termo "fim da história" era tradicionalmente associado à Hegel — um filósofo alemão que viveu entre 1770 e 1831 — até que Fukuyama o reviveu em 1989 para falar da “vitória” estadunidense da Guerra Fria. O fim da história seria o momento em que a humanidade finalmente atingiria uma sociedade estável, equilibrada, perfeita. Como muitos já observaram — inclusive eu mesmo, aqui —, a confluência deste ideal com as aspirações religiosas milenaristas estadunidenses é uma poderosa matriz da FC.

Mas há aqueles que denunciam o conceito de fim de história justamente por ser utópico. Para estes, esta ideia não passa de uma cristalização materialista do conceito cristão da segunda vinda — e por isso mesmo falaciosa. Certamente podemos incluir Piratas do Espaço, de Murray Leinster, no cânone desses descrentes da utopia.  Trata-se do volume 152 da Colecção Argonauta, lançado em Portugal em 1970.

 


segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

A TERRA LONGA - Pratchett / Baxter

Poucas obras de FC escritas em anos recentes me trouxeram tantas alegrias quanto A Terra Longa (tradução de The Long Earth, de Terry Pratchett e Stephen Baxter), lançada em 2018 pela Bertrand Brasil. A descobri em uma livraria, na estante das novidades. Folheei o volume ao acaso, e quando meus olhos bateram em uma descrição do canto coral do homo habilis, soube que iria levar aquele livro verde comigo. 

A IDEIA FATAL - Fui publicado na Somnium 123!

Grande notícia!

Meu conto "A Ideia Fatal" foi publicado no número 123 da Somnium, que é a publicação oficial do Clube de Leitores de Ficção Científica (o CLFC, do qual sou membro).


A revista pode ser encontrada aqui:


Agradeço à equipe do CLFC e ao editor responsável, o Rubens Angelo, pelo incentivo e oportunidade.
 




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A Caçada

Trombetas da Revolução

 

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

O ARTISTA DE GÊNERO - Carlo Rotella sobre Jack Vance

 

O ARTISTA DE GÊNERO

The Genre Artist - Carlo Rotella (2009)

Original:

https://www.nytimes.com/2009/07/19/magazine/19Vance-t.html

Traduzido por Marcelo Rabello dos Santos (out. 2022)

Jack Vance, descrito por seus pares como autor genial e o maior escritor vivo de ficção científica e fantasia, está escondido à plena vista enquanto publica – seis décadas e contando (Nota do tradutor: Jack Vance faleceu em 2013). Sim, ele foi premiado com o Hugo, o Nebula e o World Fantasy, foi nomeado Grão-Mestre pela Science Fiction and Fantasy Writers of America e recebeu um Edgar da Mystery Writers of America, mas tais honrarias somente contribuem para camuflá-lo, como se Vance fosse apenas mais um bem-sucedido autor de nicho. Também contribuem para esta ocultação as capas de seus livros, recheadas de clichês – espaçonaves, monstros e eufônicas designações de localidades: Lyonesse, Alastor, Durdane. Se você nunca leu Vance e está vasculhando a prateleira de uma livraria, pode não ter nenhum motivo específico para escolher um de seus livros ao invés daqueles de A. E. van Vogt ou John Varley. E se você escolhesse alguma dessas outras obras, seguiria por tranquilamente pelos caminhos habituais da FC sem ter a menor ideia de que acabou de perder um encontro com uma das vozes mais distintas e desvalorizadas da literatura estadunidense.

quarta-feira, 2 de março de 2022

LUZ DE OUTRA DIMENSÃO – LLOYD BIGGLE JR.

             Antigos pensadores postulavam que a arte era o marcador da diferença entre o humano e o animal. Era o exercício da arte – intermediado pelas musas – que aproximava a humanidade da esfera divina, afastando seus praticantes da bestialidade. Mas como reagiriam os que pensam assim se encontrassem, em outros mundos, criaturas fisicamente semelhantes aos animais, mas dotadas de sensibilidade estética?

            Essa é questão de fundo proposta por Lloyd Biggle Jr. em Luz de Outra Dimensão (Hemus, 1981). Nessa obra, encontramos a humanidade espalhada por diversos planetas, muitos deles habitados por espécies inteligentes nativas chamadas depreciativamente de “animalóides”. Entretanto, quando as recentes populações humanas destes mundos distantes começam a descobrir os dotes artísticos dos “não-humanos”, o resultado é o assassinato em massa das populações "animalóides" nativas.

domingo, 13 de fevereiro de 2022

A MÃO ESQUERDA DA ESCURIDÃO: NOTA SOBRE LE GUIN E FOUCAULT

            Acabei de reler minha velha edição, publicada pelo Círculo do Livro em meados de 1985, de A Mão Esquerda da Escuridão (1969), de Ursula K. Le Guin. Aliás, bela edição, com boa tradução e capa dura, que vem sobrevivendo galhardamente aos maus tratos que impinjo aos meus volumes. Não abordarei aqui este texto como precursor das questões contemporâneas de gênero e sexualidade – o que certamente é! – , já que outras e outros o fazem bem melhor do que seria capaz (como aqui: https://www.momentumsaga.com/2022/02/resenha-a-mao-esquerda-da-escuridao-de-ursula-le-guin.html ). Em vez disso, pretendo apontar um outro eixo essencial da obra, aquele que diz respeito aos contrastes que Le Guin cuidadosamente estabelece entre duas nações do planeta ficcional Gethen, Karhide e Orgoreyn, com o objetivo de investigar e criticar fenômeno da Modernidade aqui da Terra.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

E VI SURGIR DO MAR UMA BESTA - Fui publicado na Somnium 116!

Alvíssaras! 

Meu conto "E vi surgir do mar uma besta" foi publicado no número 116 da Somnium, que é a publicação oficial do Clube de Leitores de Ficção Científica (do qual sou membro).

A revista pode ser encontrada aqui:

https://somnium.clfc.com.br/wp-content/uploads/edicoes/Somnium116.pdf


Agradeço à equipe do CLFC e ao editor responsável pela oportunidade.




Tem a ver: 
 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

E QUANTO AOS DEUSES? – PARTE 3

 

Continuamos com Star Trek. A Nova Geração (1987-1994) também tem sua cota de episódios de deuses-astronautas, inclusive um em que os humanos acabam sendo considerados como deuses. De um ponto de vista rigoroso, episódios como esse não deveriam existir. A Federação Unida de Planetas, em sua Primeira Diretriz, proíbe a interferência em planetas com culturas consideradas “primitivas” (Kirk, na Série Clássica, desobedecia a essa regra com regularidade). Aos cientistas federados permitia-se estudar planetas menos "avançados" se fossem usadas táticas para manter sua presença oculta. Mas bastou um acidente revelar a presença dos cientistas – e a Enterprise-D ser chamada para prestar socorro – para termos o capitão Picard adorado com um deus no episódio Who Watches the Watchers (1989). Como bom cidadão federado, ele recusa essa adoração. O resultado é um episódio que, mesmo sendo tributário de Däniken, ao menos problematiza o tema.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

E QUANTO AOS DEUSES? – PARTE 2

          Como fã de Star Trek, não posso deixar de comentar que a franquia abordou os deuses-astronautas, ao seu modo, antes de Däniken. Em um episódio de 1967 da Série Clássica Who Mourns for Adonais? a tripulação da Enterprise encontra entre as estrelas Apolo, o musageta, deus grego da luz, da profecia e da música. Mas tudo não passa de um pretexto: o tema do episódio é a luta humana por autodeterminação, e não a hipótese dos astronautas antigos.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

E QUANTO AOS DEUSES? – PARTE 1

 

            Muita FC foi escrita postulando a interferência de extraterrestres (entendidos como "divinos") em nosso planeta. A Voz do Mestre (1968), de Stanislaw Lem, trata de uma transmissão de neutrinos – gerada intencionalmente por outra civilização? – que teria permitido o próprio fenômeno da vida na Terra (e talvez em uma vasta região da galáxia) ao aumentar as probabilidades da biogênese. Em 2001: Uma Odisseia no Espaço (também de 1968), Arthur C. Clarke descreve como um artefato de origem extraterrestre – o famoso monolito negro – teria atuado para incrementar a capacidade cognitiva dos pré-humanos.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

A VOZ DO MESTRE – STANISLAW LEM


Acabo de reler A Voz do Mestre, de Stanislaw Lem (Ed. Francisco Alves, 1991). O texto de Lem é denso e filosófico. Problemas de tradução contribuem para tornar o livro quase impenetrável em certas passagens. Não obstante, é uma leitura fantástica: as explanações a respeito da aleatoriedade, por exemplo, são perfeitamente acuradas e essenciais para a compreensão da trama. E se fosse percebido um padrão nos bilhões de neutrinos cósmicos que atravessam a Terra a cada instante? Tratar-se-ia de uma mensagem? Eis a trama de A Voz do Mestre, que nos apresenta os bastidores de um projeto secreto do governo dos EUA destinado a “decifrar” uma “mensagem” recebida das estrelas. Uma legião de cientistas de diferentes áreas é recrutada e instalada em uma região desértica do EUA. Não é por acaso que Lem (que era polonês) situa a narrativa na América: existe a intenção mais ou menos expressa de estabelecer uma comparação com o Projeto Manhattan. 

A Voz do Mestre - Ed. Francisco Alves


segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

E QUANTO AO PARAÍSO?

        Descrevo a seguir cinco visões genéricas a respeito do sentido da história, tal podem ser encontradas em obras de ficção especulativa (categoria que abrange também a FC). Uso a expressão paraíso em um sentido não religioso, como significando um estado geral de coisas absolutamente desejável, uma sociedade ideal. Mas não a uso por acidente, na medida em que constato as relações entre a ficção especulativa e o pensamento religioso.

 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

OBRAS DE JACK VANCE EM PORTUGUÊS

 

Apenas uma pequena fração da obra de Jack Vance está disponível em português:

CONTOS INTERLIGADOS

A Agonia da Terra – Coleção Urânia da Ed. Bruguera – 1973 Obs.: Tradução do influente The Dying Earth .

Novidade:

Contos de Dying Earth - Ed. New Order - 2023. Tradução recente de The Dying Earth.